Oi, gente! Tudo?
Vim aqui contar os causos e as aventuras de participar de (mais uma) corrida em Lausanne. Essa é a 20ª edição da Maratona de Lausanne e tá todo mundo animado! Claro que eu e meus amigos sedentários não vamos correr os 42 km assim do nada: nos inscrevemos na corrida de 10 km. Talvez vocês lembrem que eu corri a mesma distância em abril, na 32ª edição dos 20 km de Lausanne. Na real, eu mais morri do que corri. Estava extremamente frio pra final de abril, chovendo e ventando que parecia o fim do mundo. Mas, como eu tinha treinado (naquelas, né?) e me inscrevi pra correr com uma amiga, fui assim mesmo. O problema é que depois dos 10 km eu estava morta. Hipotermia pegando, mal-estar, dores por tudo, enfim, um horror. Dessa vez resolvi fazer a coisa certo.
Primeiro montamos um time de corrida aqui na nossa casa de estudante. Temos 2 "personal trainers"/mestrandos em educação física que fizeram um treino pra nós e nos acompanham nas corridas pra corrigir nossa postura e etc.
Depois pegamos um trem e fomos pra Aubonne num outlet da Puma, Nike, Oschner e Reebok comprar roupas de corrida pro inverno, neve e chuva. É luva, touca, calça térmica, camisa de corrida de manga curta, longa, tecidos especiais, casaco impermeável, moletom à prova de vento e toda essa frescura. Bom, eu pensava ser frescura e um investimento bastante alto, mas está fazendo a diferença quando vamos treinar com 2°C e aquele vento descendo dos Alpes. Pela primeira vez na minha vida tenho roupas de marca esportiva. o.O Felizmente, estava relativamente barato em comparação aos preços normais na Suíça.
Ok. Agora "só" falta treinar. Estou correndo 3 vezes por semana. Já consegui correr quase 7 km sem morrer! Claro que eu tive que fazer 2 checkpoints de 5 minutos pra recuperar o fôlego. Mas tá bom pra 3 semanas de treino, né? Agora temos mais 1 semana de treino forte e 1 semana de treino leve antes da corrida. Veremos.
Agora, minha colega de apartamento, Sofie, foi um caso à parte. Ela é uma daquelas pessoas que consegue correr horas sem treinar, que consegue ignorar os sinais de desespero do próprio corpo e correr em velocidades incríveis sem sentir nada, nem falta de ar. Acho que esse tipo de pessoa sente prazer extremo em correr ou tem alta sensibilidade a endorfinas (ou baixa sensibilidade à dor). Pois bem, enquanto eu, no meu primeiro treino, corri 20 minutos e saí me arrastando pro chuveiro, ela correu 1h num passo extremamente rápido. Apesar de todos nós, incluindo os personal trainers, dizermos pra ela pegar leve, ela não consegue parar de correr quando começa (praticamente um caso de vício).
Pois bem, na segunda semana de treino (3ª ou 4ª vez que ela achou tempo pra correr), ela correu 1h30, sendo a metade final desse tempo lomba acima. Obviamente ela chegou em casa e desmaiou no corredor. Os meninos colocaram ela no sofá e me chamaram. Eram quase 20h30 da noite.
Cheguei lá e ela estava extremamente vermelha, passando muito mal, tremendo, com vontade vomitar, coração batendo muito irregular, respiração pesada. Eu achei que ela ia melhorar logo, em no máximo 1h, pois foi exatamente isso que eu senti depois de correr os primeiros 10 km. Mas aí ela começou a perder a consciência e decidimos que era hora de chamar uma ambulância. Foi lindo. E eu pude andar de ambulância! \o/
O pessoal chegou em menos de 5 minutos. Eles fizeram um ECG nela na hora, mediram pressão, glicose, etc, e decidiram realmente levá-la pro hospital (CHUV). Obviamente eu fui com ela. Tadinha! Ela é muito amável, doce e querida (teimosa, mas querida). Ninguém merece esse tipo de coisa, especialmente ela.
Ficamos lá no hospital das 21h às 4h do outro dia. Parece que ela tinha uma arritmia cardíaca que melhorou com fluídos (claro que ela estava desidratada! ¬¬) e um pouco de descanso. Que aventura, né! Agora ela vai ficar 1 semana de molho, sem correr, e depois vai correr de mãos dadas comigo, numa velocidade tartaruga e distância aceitável.
Só quero ver quantos mais vão passar mal depois da corrida em 2 semanas. Todos esses atletas de fim de semana! (Espero que não seja eu dessa vez. ^-^ ).
Torçam por nós!
Beijos e bom final de semana!
sábado, 12 de outubro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Enfim, o final do verão!
Eita! Vortemo! Antes tarde do que nunca!
Teve 2 motivos principais pelos quais eu não escrevi no último mês:
O primeiro foi o sucesso do post anterior. O blog teve 100 mil leitores no mês passado. Muita gente aleatória acessou o blog e eu não queria criar expectativas nos leitores de que o blog era só sobre ciência e textos motivacionais inspirados. Por isso, eu deixei a poeira baixar pra poder escrever besteira aqui de novo. :)
O segundo foi falta de tempo (+++), inspiração e assunto. Portanto, vamos colocar as notícias em dia.
Eu tive que me mudar no final de agosto. Meu contrato era de 1 ano na FMEL (casa de estudante) e não podia ser renovado. Foi horrível achar apartamento. Têm cada lugar horrível! Uma senhora alugando quartos pra estudantes desligava a internet sem fio às 10h da noite porque as ondas wifi não deixam ela dormir. ¬¬ A outra tinha 10 gatos. Um outro casal morava em outra cidade, à 30 min de trem de Lausanne. Outras pessoas nem atendiam os celulares, marcavam visita e não apareciam, as agências de imóveis não aceitam estudantes, e muita gente nunca mais dava resposta depois da visita. Até que eu achei um apartamento legal no meio de Lausanne. O aluguel era caro (1,000 francos) e ainda tinha 2 crianças pequenas (2 e 4 anos) na casa. Mas era o que tinha, então eu topei. Pro meu alívio, 2 semanas antes de eu me mudar, recebi um e-mail de outra casa de estudante (Planete Bleue) de que uma pessoa havia desistido do quarto e que eu podia ficar ali se eu quisesse. Foi ótimo já que o aluguel é mais barato. A localização não é ruim também. O que eu não sabia era que a mulher com quem eu ia morar antes me deu a responsabilidade de achar outra pessoa pra ficar no meu lugar na casa com as duas crianças, sob pena de ter que pagar o primeiro aluguel. Isso mesmo que eu não tenha assinado nem pago nada ainda pra ela. O pior é que ela nem estava em Lausanne. Ela estava na Itália, então eu não tinha acesso ao apartamento. Enfim, foi uma longa história porque cada pessoa que eu encaminhava pra ela era rejeitada. Até que um dia, semana passada, ela achou outra pessoa. Eu me meto em cada uma!
Essa nova casa de estudante é mais legal que a anterior. Somos somente 44 pessoas, então o ambiente é mais familiar. Ontem tivemos uma janta em conjunto com direito a pizza e lasanha. O problema é que não consigo interagir muito por causa do francês. Todos falam francês desde sempre, e o meu é bem básico ainda. Encontrei uma brasileiro de São Paulo por aqui também, a Pamela, e o um português, Ricardo, então eu posso me refugiar com eles.
Outra coisa que eu tenho que ficar ligada é que estão sumindo coisas do nosso apartamento, cuja porta sempre fica aberta como a de todos os outros. Sumiu minha forma de pizza, minha tábua de cortar legumes e 3 das nossas toalhas de cozinha. Uma coisa atrás da outra. E os meus colegas de quarto ainda insistem em não trancar a porta. Que gente cabeça-dura, vou te contar. Aliás, eu sou a pessoa mais velha da casa. A maioria do pessoal nasceu em 1994-1995. Vamos ver como vai ser.
Também acho que os meninos do meu apartamento não são muito espertos. Nós somos 4 pessoas, 2 meninos e 2 meninas, e temos 2 banheiros. Eu cheguei primeiro no apartamento então me instalei no banheiro que tinha um pato roxo gigante colado na parede (presumi que fosse das meninas), coloquei tolhas rosas por tudo e uma cortinha de chuveiro cheia de peixinhos. A outra menina começou a dividir o banheiro comigo em seguida. Os meninas chegaram mais tarde e, pra minha surpresa, eles também começaram a usar o nosso banheiro porque é mais perto do quarto de um deles. O que eu faço numa situação dessas? Será que se eu mudar minhas coisas pro outro banheiro eles vão se mudar atrás? Será um efeito atrativo da cortina de peixinhos? Ou serão as toalhas rosas que não deixam óbvio que é um banheiro de meninas? Ou será que todo mundo gosta de usar o mesmo banheiro mesmo e fazer fila pra tomar banho de manhã? Olha, esse tipo de coisa está acima do meu entendimento sobre o comportamento humano.
No laboratório, também teve vários momentos difíceis. 2 meses. DOIS MESES! Esse foi o tempo que levou pra eu consegui clonar um gene num plasmídio que tinha. Foi um inferno. O mapa do plasmídeo estava errado e tudo que podia dar errado, deu. Se tinha 1% de change de dar errado, certo que deu errado. Foram 12 estratégias ("em grego strateegia, em latim strategi, em francês stratégie... Os senhores estão anotando?" ), mais de 900 testes, 18 enzimas diferentes, 60 placas de meio de cultura, 4 finais de semanas inteiros perdidos. Esse foi o tamanho do meu desespero. Até que ontem eu me aborreci com a porcaria do plasmídeo e mandei 40 clones pro sequenciamento (com autorização do chefe, já que isso custou 1200 francos) e um, somente UM maldito estava correto. Mas era um que eu precisava. ^-^ Agora eu posso começar a clonar outra coisa, segundo o Eric (não preciso dizer que eu queria jogar uma proveta na cabeça dele). Mas não foi nesse sentido que as coisas desandaram. Minhas células não queriam ficar verdes de jeito nenhum (e ainda não querem) e estou tendo uma baita dificuldade pra produzir alguns fragmentos de DNA por PCR. Parece que coisas ruins vêm em bandos. Espero que essa fase esteja passando.
De resto, o verão durou pouco aqui em Lausanne. Nem é outono ainda e está fazendo 6°C de manhã. Já botei meus casacos de neve pra fora do armário, já que a branquinha deve aparecer em 3 ou 4 semanas. Que saudade do verão brasileiro!
Por outro lado, estou feliz que o verão está terminando. Foi um momento muito estressante pra mim. Meus finais de semana estavam divididos entre o laboratório e aventuras enlouquecidas com a Priscilla. Não estou reclamando das nossa aventuras, foram ótimas, mas ao mesmo tempo eu tinha que procurar apartamento e descansar de vez em quando. Pra piorar, todos os meus outros amigos estavam de férias fora de Lausanne, então eu fiquei muito sozinha nesse período também, sem ter com quem conversar sobre coisas mundanas e pra reclamar e rir de fatos aleatórios da vida. Portanto, que essa semana, que inaugura meu segundo ano suíço, possa ser o começo de uma nova (boa) fase da minha vida em todos os sentidos.
Para aqueles que também estão começando o semestre, mando meus melhores votos!
Beijos!
Pati
PS: faltam 88 dias pra eu ir pra casa! :)
Teve 2 motivos principais pelos quais eu não escrevi no último mês:
O primeiro foi o sucesso do post anterior. O blog teve 100 mil leitores no mês passado. Muita gente aleatória acessou o blog e eu não queria criar expectativas nos leitores de que o blog era só sobre ciência e textos motivacionais inspirados. Por isso, eu deixei a poeira baixar pra poder escrever besteira aqui de novo. :)
O segundo foi falta de tempo (+++), inspiração e assunto. Portanto, vamos colocar as notícias em dia.
Eu tive que me mudar no final de agosto. Meu contrato era de 1 ano na FMEL (casa de estudante) e não podia ser renovado. Foi horrível achar apartamento. Têm cada lugar horrível! Uma senhora alugando quartos pra estudantes desligava a internet sem fio às 10h da noite porque as ondas wifi não deixam ela dormir. ¬¬ A outra tinha 10 gatos. Um outro casal morava em outra cidade, à 30 min de trem de Lausanne. Outras pessoas nem atendiam os celulares, marcavam visita e não apareciam, as agências de imóveis não aceitam estudantes, e muita gente nunca mais dava resposta depois da visita. Até que eu achei um apartamento legal no meio de Lausanne. O aluguel era caro (1,000 francos) e ainda tinha 2 crianças pequenas (2 e 4 anos) na casa. Mas era o que tinha, então eu topei. Pro meu alívio, 2 semanas antes de eu me mudar, recebi um e-mail de outra casa de estudante (Planete Bleue) de que uma pessoa havia desistido do quarto e que eu podia ficar ali se eu quisesse. Foi ótimo já que o aluguel é mais barato. A localização não é ruim também. O que eu não sabia era que a mulher com quem eu ia morar antes me deu a responsabilidade de achar outra pessoa pra ficar no meu lugar na casa com as duas crianças, sob pena de ter que pagar o primeiro aluguel. Isso mesmo que eu não tenha assinado nem pago nada ainda pra ela. O pior é que ela nem estava em Lausanne. Ela estava na Itália, então eu não tinha acesso ao apartamento. Enfim, foi uma longa história porque cada pessoa que eu encaminhava pra ela era rejeitada. Até que um dia, semana passada, ela achou outra pessoa. Eu me meto em cada uma!
Essa nova casa de estudante é mais legal que a anterior. Somos somente 44 pessoas, então o ambiente é mais familiar. Ontem tivemos uma janta em conjunto com direito a pizza e lasanha. O problema é que não consigo interagir muito por causa do francês. Todos falam francês desde sempre, e o meu é bem básico ainda. Encontrei uma brasileiro de São Paulo por aqui também, a Pamela, e o um português, Ricardo, então eu posso me refugiar com eles.
Outra coisa que eu tenho que ficar ligada é que estão sumindo coisas do nosso apartamento, cuja porta sempre fica aberta como a de todos os outros. Sumiu minha forma de pizza, minha tábua de cortar legumes e 3 das nossas toalhas de cozinha. Uma coisa atrás da outra. E os meus colegas de quarto ainda insistem em não trancar a porta. Que gente cabeça-dura, vou te contar. Aliás, eu sou a pessoa mais velha da casa. A maioria do pessoal nasceu em 1994-1995. Vamos ver como vai ser.
Também acho que os meninos do meu apartamento não são muito espertos. Nós somos 4 pessoas, 2 meninos e 2 meninas, e temos 2 banheiros. Eu cheguei primeiro no apartamento então me instalei no banheiro que tinha um pato roxo gigante colado na parede (presumi que fosse das meninas), coloquei tolhas rosas por tudo e uma cortinha de chuveiro cheia de peixinhos. A outra menina começou a dividir o banheiro comigo em seguida. Os meninas chegaram mais tarde e, pra minha surpresa, eles também começaram a usar o nosso banheiro porque é mais perto do quarto de um deles. O que eu faço numa situação dessas? Será que se eu mudar minhas coisas pro outro banheiro eles vão se mudar atrás? Será um efeito atrativo da cortina de peixinhos? Ou serão as toalhas rosas que não deixam óbvio que é um banheiro de meninas? Ou será que todo mundo gosta de usar o mesmo banheiro mesmo e fazer fila pra tomar banho de manhã? Olha, esse tipo de coisa está acima do meu entendimento sobre o comportamento humano.
No laboratório, também teve vários momentos difíceis. 2 meses. DOIS MESES! Esse foi o tempo que levou pra eu consegui clonar um gene num plasmídio que tinha. Foi um inferno. O mapa do plasmídeo estava errado e tudo que podia dar errado, deu. Se tinha 1% de change de dar errado, certo que deu errado. Foram 12 estratégias ("em grego strateegia, em latim strategi, em francês stratégie... Os senhores estão anotando?" ), mais de 900 testes, 18 enzimas diferentes, 60 placas de meio de cultura, 4 finais de semanas inteiros perdidos. Esse foi o tamanho do meu desespero. Até que ontem eu me aborreci com a porcaria do plasmídeo e mandei 40 clones pro sequenciamento (com autorização do chefe, já que isso custou 1200 francos) e um, somente UM maldito estava correto. Mas era um que eu precisava. ^-^ Agora eu posso começar a clonar outra coisa, segundo o Eric (não preciso dizer que eu queria jogar uma proveta na cabeça dele). Mas não foi nesse sentido que as coisas desandaram. Minhas células não queriam ficar verdes de jeito nenhum (e ainda não querem) e estou tendo uma baita dificuldade pra produzir alguns fragmentos de DNA por PCR. Parece que coisas ruins vêm em bandos. Espero que essa fase esteja passando.
De resto, o verão durou pouco aqui em Lausanne. Nem é outono ainda e está fazendo 6°C de manhã. Já botei meus casacos de neve pra fora do armário, já que a branquinha deve aparecer em 3 ou 4 semanas. Que saudade do verão brasileiro!
Por outro lado, estou feliz que o verão está terminando. Foi um momento muito estressante pra mim. Meus finais de semana estavam divididos entre o laboratório e aventuras enlouquecidas com a Priscilla. Não estou reclamando das nossa aventuras, foram ótimas, mas ao mesmo tempo eu tinha que procurar apartamento e descansar de vez em quando. Pra piorar, todos os meus outros amigos estavam de férias fora de Lausanne, então eu fiquei muito sozinha nesse período também, sem ter com quem conversar sobre coisas mundanas e pra reclamar e rir de fatos aleatórios da vida. Portanto, que essa semana, que inaugura meu segundo ano suíço, possa ser o começo de uma nova (boa) fase da minha vida em todos os sentidos.
Para aqueles que também estão começando o semestre, mando meus melhores votos!
Beijos!
Pati
PS: faltam 88 dias pra eu ir pra casa! :)
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