domingo, 9 de junho de 2013

O Muro de Berlim


Leitor, o post anterior está atualizado com fotos! Dá uma checada também!





Apesar de parecerem muito reais, essas são fotos que eu tirei de uma painel panorâmico sobre o muro de Berlin. A pintura tem 15 metros de altura e 60 metros de comprimento. Ela foi impressa em pedaços de 15x20 metros. É uma exposição muito linda e emocionante. Quem tiver a chance de visitar, a exposição está aberta até Maio de 2014. 




O muro de Berlin, ou o que resta dele, continua espalhado pela cidade. Onde o muro foi removido, o visitante encontra uma trilha de tijolos marcando sua posição inicial. Várias partes do muro de Berlin fazem parte do quotidiano da cidade e servem de lembrança daqueles tempos difíceis e de erros que não devem ser repetidos.



Uma das marcas no chão indicando a posição original do muro.



Durante alguns anos que se seguiram à construção do muro de Berlim, alguns moradores ainda conseguiam passar de um lado ao outro do muro através de passagens secretas em seus apartamentos que os conectavam aos apartamentos vizinhos do outro lado do muro. Quando isso foi descoberto, o governo (DDR) começou a cimentar todas as janelas de apartamentos próximos ao muro. Há vários vídeos de pessoas se jogando pelas janelas em tentativas de fuga antes do fechamento das janelas, jogando seus filhos, malas e pertences para o outro lado (Oeste, geralmente). Assista a um desses vídeos e entenda a situação:



Outro ponto turístico extremamente visitado de Berlin é o Memorial dos Judeus Assassinados durante o holocausto. É um parque feito de blocos que lembram lápides no centro da cidade. Estima-se que mais de 6 milhões de judeus foram mortos nos campos de concentração/extermínio.





Já que estamos falando desse tipo de coisa, vou emendar nossa visita à prisão da GDR (ou DDR, em Alemão). Essa prisão especificamente fica há uns 20 km do centro de Berlin e era a prisão para onde eram mandados presos políticos e qualquer pessoa que estivesse contra o Stasi. Durante a guerra fria, qualquer coisa era motivo para ser preso. Nosso guia contou sobre os diversos tipos de tortura que aconteciam por alí, tanto física quanto psicológica. Algumas delas incluíam uma sala onde você era molhado pelos guardas o tempo todo, sem poder dormir ou se aquecer. Os presos tinham que dormir de barriga pra cima, com as mãos acima do cobertor e ao longo do corpo. Caso você se virasse durante a noite, era acordado aos berros e apanhava dos guardas. Tortura psicológica incluía interrogatórios onde os guardas diziam que seus filhos haviam sido presos ou que sua família estava morta. Os presos também eram induzidos a acreditar que a comida estava envenenada, então viviam em constante paranoia. Aqueles que tentavam se matar, principalmente se enforcando nas camas eram colocados em isolamento, em quartos com portas lacradas e forradas com espuma. Aqueles que faziam greve de fome eram alimentados à força. Um tubo era colocado garanta abaixo e a comida liquefeita era introduzida com um funil. Para que os presos não mordessem tubo e interrompessem o fluxo de comida, suas mandíbulas eram deslocadas.    O.O










As escadas do prédio também eram protegidas por grades para que os presos não se jogassem. Não vou colocar aqui mais detalhes das torturas ou sofrimento pelos quais essas pessoas passaram, mas as coisas que o guia nos contou eram apavorantes. No final da visita, viemos a descobrir que o guia em si foi um prisoneiro do DDR. Ele foi preso quando era jovem por pichar uma propaganda do governo em um muro. Ele ficou 1 ano na prisão até que o DDR vendeu vários prisioneiros para Berlim Ocidental por 70 mil euros cada.

Berlin é uma cidade linda, mas essa atmosfera de guerra, morte e tortura está presente por todos os cantos da cidade. Acho que com o tempo você se acostuma, para de prestar atenção, supera. Pelo menos eu espero que sim.


sábado, 8 de junho de 2013

Curiosidades Berlinísticas

Oi, gente! \o/

O post de hoje vem diretamente da capital Alemã, Berlin! 15 alunos do mundo todo foram selecionados para a Escola de Verão em Medicina Regenerativa (BSRT Summer School on Innovative Approaches in Regenerative Medicine): somos do Egito, da Índia, do Vietnã, dos Estados Unidos, do Canadá, do México, da Bulgária, da França, da Inglaterra, da Rússia, da Indonésia, da Áustria, da Alemanha e, claro, do Brasil. Uma mistura bem divertida.




A chegada em Berlin, no Aeroporto de Schönefeld, não foi exatamente tranquila. Na real, foi um desafio e tanto encontrar o trem certo para chegar ao centro da cidade. A sinalização sobre como chegar à Estação de Trem era tranquila, mas a estação em si era uma bagunça. Primeiro que não há guichê de informação. Você tem que comprar sua passagem sozinho em totens e a fila era gigantesca. Principalmente porque ninguém sabia pra onde deveria comprar a passagem, qual região de ticket (A, B ou C) deveria ser comprada, e nem se o tal RE10 ou S15 ou U9 eram ônibus, trens, trams, bondes ou sei lá. Eu tinha que pegar o RE, que eu achava ser um trem. Aí vi um desenho sobre o quadro de horários do RE e ele parecia um ônibus. Portanto, subi à superfície tentando procurar a parada de ônibus certa. Tinha várias paradas de ônibus por todos os lados. Depois de um bom tempo procurando a parada certa, desisti e entrei de novo na estação de trem para perguntar pra alguém onde eu podia pegar o RE. Acontece que o RE realmente era um trem. Descobri isso depois de finalmente encontrar a única tela com as plataformas da estação. Detalhe que essa tela estava fora da estação de trem, mais perto do aeroporto que da estação em si.

Bom, comprei meu ticket e acabei ajudando também várias outras pessoas que não sabiam o que fazer. É realmente desorganizado e não há uma alma na estação de trem pra dar informações. Os painéis também são complicados, tudo impresso em alemão e sem indicação de quais trens param em quais plataformas.

Enfim, ticket comprado, plataforma encontrada. Entrei no trem uns 5 min antes da partida, me acomodei e só então percebi que meu ticket deveria ser validado. Claro que ninguém dentro do trem sabia onde validá-lo, então saí pra plataforma à caça de um lugar pra validar o ticket. Graças a deus eu vi um totem parecido com os que existem na Suíça e consegui validar meu ticket e entrar novamente no trem 1 min antes da partida. Tenso.

A viagem até o centro foi tranquila e curta (cerca de 15 min). Cheguei na Ostbahnhof e caminhei uns 15 min até o hostel. Chegando lá, me disseram que meu quarto ainda não estava pronto e que eu deveria esperar até as 16h pra fazer o check-in (eram por volta das 13h). Só que na real eu deveria ter feito check-in no dia anterior e essa diária já estava paga. Uma confusão só. O pessoal do hostel é bem desorganizado. Tive que esperar umas 2h até poder me instalar no quarto.

O dia estava terrível, frio e chuvoso, então resolvi não fazer nada turístico. À noite, conheci minha colega de quarto, a Kelly. Ela é canadense e tem aquele espírito alegre, gentil e sincero que só os canadenses conseguem ter.

No dia seguinte: primeiro dia de curso. Tivemos palestras com umas pessoas fodásticas de manhã e à tarde fomos para as partes práticas. Nesse dia fomos ao hospital universitário participar de uma cirurgia de peito aberto pra colocar um by-pass e injetar células tronco no coração de um paciente. Admito que fiquei com um pouco de medo no começo. Não sabia qual seria a minha reação ao ver uma pessoa aberta na mesa. Será que eu ia ter um treco? Mas não! Eu me comportei super bem e pude até segurar o coração. \o/ Foi muito emocionante!

Outras aulas práticas até agora incluíram transformar nossas células tronco periféricas (do sangue) em ossos (muito divertido também), preparar e corar esqueletos de fetos de camundongos, e uma aula sobre como isolar e classificar embriões de galinha de acordo com o estágio do desenvolvimento embrionário. Foi realmente complicado. Eles são muito minúsculos.



Claro que nós também temos passeios culturais. Os mais legais até o momento foram o parlamento e um bunker. O bunker era um dos 3 mil abrigos para os civis durante a segunda guerra mundial. Como o local não tinha ventilação, podia abrigar cerca de 20 pessoas por sala. Porém, sobreviventes da época disseram que havia sempre 4-5X mais pessoas que o permitido. O lugar era meio claustrofóbico. Uma colega do curso teve que sair logo no começo do passeio. Também é meio apavorante porque fica abaixo de 5 linhas do metro. Cada vez que passa um trem o lugar todo treme. Algumas curiosidades do lugar:

-em cada sala você vai encontrar 3 velas. Elas devem ser acesas e uma deve ficar no chão, outra sobre o banco onde as pessoas estão sentadas e outra na altura do ombro de uma pessoa em pé. Isso serve para monitorar os níveis de oxigênio nas salas. Se a vela no chão apagar, bebês e crianças pequenas devem ser postas no colo. Se a vela do banco apagar, todos devem ficar de pé. Se a vela mais alta apagar, comece a rezar, meu amigo: você vai tirar uma soneca bem longa.

-Depois que Berlin foi bombardeada pela primeira vez, as pessoas começaram a carregar malas por todos os lados. Você nunca sabia quando poderia ser o próximo ataque e se sua casa continuaria lá com seus pertences. Havia 3 itens que todo alemão carregava nessa malinha: 1) documentos. Eles eram seu passaporte para dentro dos bunkers. Só alemães podem se abrigar neles. 2) Joias, ouro, cigarros ou qualquer coisa que possa valer alguma coisa como moeda de troca caso você precise de algo. 3) Fotos de família, principalmente pra perguntar pra outras pessoas se elas viram alguém desaparecido da família.

-Mães com filhos tinham prioridade nos bunkers e alguns deles eram exclusivos para mulheres e seus filhos. Na guerra, o papel dos homens era lutar e o das mulheres era fazer novos soldados. As mulheres ganhavam medalhas de acordo com o número de filhos homens que possuíam. 4 filhos era medalha de bronze. 6 are de prata, 8 era de ouro e se você fizesse 10 filhos homens/soldados, Hitler seria o padrinho das crianças. Nesse caso, a família deveria morar num bunker o tempo todo.

-As mulheres foram ensinadas a reciclar tijolos depois dos bombardeios. Esses tijolos eram limpos e usados na reconstrução da cidade. Aqueles que não podiam ser reutilizados foram empilhados no que é hoje a maior montanha de Berlin. No início da guerra essa montanha tinha 35 metros. No final, ela teria 140 metros de altura.

-A construção dos bunkers foi uma forma de tranquilizar a população, mas na real pouquíssimos deles eram resistentes às bombas.

-Até hoje foram encontradas 135 bombas que não explodiram em Berlin. Ainda há por volta de 1900 bombas no solo na cidade. Portanto, tenha cuidado ao caminhar por aqui.

Algumas curiosidades sobre o parlamento:






-O parlamento foi construído em 1884, ocupado durante a segunda guerra e reformado nos anos 1970. Nessa reforma, as pichações dos solados russos que ocuparam o local e as marcas de tiros foram deixadas em todas as paredes. Isso serve para lembrar políticos e líderes mundiais que passam por esses corredores todos os anos para não cometerem os mesmos desastrosos erros do passado.

Pichações de soldados russos.

O símbolo do parlamento alemão é a águia, que tudo vê e tudo controla.

A constituição.

-Foi construída uma nova cúpula de vidro sobre o parlamento. Essa cúpula serve para 3 coisas: 1) diversos espelhos transmitem a luz solar para dentro do parlamento a fim de minimizar a energia gasta com iluminação. 2) usar o calor do sol e o ar quente produzido pelas pessoas para gerar energia e água quente. Essa energia é armazenada 300 metros abaixo do parlamento em uma manta isolante térmica. 3) colocar as pessoas no seu devido lugar: acima dos parlamentares. O local é cheio de turistas e cidadãos que vão apreciar a vista e assistir os parlamentares trabalhando lá embaixo. A ideia é representar que os cidadãos controlam os parlamentares e que os parlamentares controlam o governo.

Por-do-sol às 22h35.



Espelhos para redirecionar a luz do sol.


Visão externa da cúpula.

-Parlamentar que falta um dia de serviço tem 100 euros descontado do salário (por dia). Que não votar em uma decisão importante, também ganha 100 euros de desconto.

-Existem 3 formas de voto no parlamento: 1) levantar a mão de acordo com a sua opinião. Se não estiver claro qual a opinião da maioria, outros métodos são usados (claro que ninguém vai contar quantas mãos estão levantadas). 2) As portas. Existem 3 portas para entrar ou sair do câmera de votos do parlamento: uma diz “Sim”, outra diz “Não” e outra diz “Abstenção”. Um sensor conta quantos parlamentares saíram ou entraram por cada porta. Então no final da sessão eles só escolhem uma porta pra sair e votam assim. 3) votos importantes possuem cartões digitais com 3 cores (sim/não/abstenção) e um código de barras que deve ser lido por um scanner de acordo com a sua opinião.

Muito divertido.

Por enquanto vou ficar por aqui, antes que vocês entrem em coma com posts gigantes.

Mais atualizações em breve.  

Beijos!