terça-feira, 6 de novembro de 2012

O que a viagem teve de melhor


Ahhh, a comida! Nunca comi tanta massa, pizza e bolinho de limão na minha vida! O local da conferência era um restaurante chique à beira do mar. Eles nos serviam coffee-breaks (tinha torta de Nutella, entre outras coisas) e os almoços. O almoço era de 3 pratos. No primeiro dia, a entrada era polvo. Blé. Mas o prato principal foi uma massa deliciosa!



No segundo dia a gente ia ter um “almoço light” (pizza). Estava ótimo também!

Nós jantávamos num restaurante que ficava entre o nosso hotel e o local da conferência. Novamente tínhamos 3 pratos e, no final, doses de Lemoncello à vontade. Lemoncello é a bebida típica de Sorrento. É 32% de vodka com suco de limão e outras coisas mais. Lembra muito caipirinha, mas é mais forte e mais amargo. Eu adorei!

Nosso hotel era bem legal. Na real, é pra ser um hostel, mas é um hotel completo. Banhos de espuma, café da manhã abundante, quartos enormes (o meu e da minha colega tinha 2 camas de casal!) e todos os outros mimos que um hotel pode oferecer. O pessoal do hostel era muito prestativo e atencioso. Recomendo (Ulisses Delixe Hostel).

No segundo dia de curso nós tínhamos um passeio programado pelas ruínas das escavações de uma cidade chamada Herculano. Teoricamente fundada por Hércules. Eu me senti muito na idade média. Era muito mágico. A cidade havia sido coberta pela lava do vulcão de tem ali perto (e com a sorte que eu estava na viagem, jurei que a próxima erupção ia ser bem quando eu estava na cidade ¬¬). As casas, as estradas, as piscinas dos ricos, as lojas, tudo tão perfeito! Acho que ia ter gostado de morar lá.



O curso em si foi muito bom. Todas as lendas da Imunologia estavam lá. Só teve uma palestra que eu realmente não gostei, então comecei a jogar sudoku no iPad da Carla (uma brasileira, minha veterana, que estava lá também. Mundo assustadoramente pequeno). Quando me dei conta, o pessoal que estava sentado atrás de mim começou a jogar comigo. Então eu não era a única entediada com o palestrante. Os outros eram muito bons e as discussões que surgiam após as palestras eram muito enriquecedoras.

Nós também fizemos compras em Sorrento, obviamente. Eu estava impressionada com os preços lá. Se bem que, comparando com a Suíça, o resto do mundo é muito barato. Comprei uma bota apeluciada (tipo UGGs). Essas botas são moda na Europa agora, então se preparem: elas vão invadir o Brasil ano que vem.  O melhor dessas botas é que dá a sensação de estar de pantufa o dia inteiro. J

O tempo lá estava ótimo \o/ Muito sol, ao contrário de Lausanne. Pelo menos eu fiz um estoque de vitamina C. 

Concluindo, chegar e sair de Sorrento foi traumático, mas estar lá foi muito bom! Quando inventarem o teletransporte, eu volto certamente! 

O que a viagem teve de pior


Oi,gente!!!
Tudo?
Essa semana, como algumas pessoas viram pelo facebook, eu fui pra Itália.
Foi bom e ruim ao mesmo tempo, mas resolvi fazer um post separado pra cada uma dessas faces.

O texto abaixo foi o que eu comecei a escrever no facebook antes de a minha conexão ser cortada no aeroporto. A continuação eu escrevi offline e só vou colar aqui. Foi um post que eu escrevi quando estava com muita raiva, então não fiquem chocados. Eu não sou assim normalmente. u_u

Devo lembrar que essa foi a parte ruim da viagem. A boa vem em seguida \o/
Eu também não vou dizer que o norte da Itália seja ruim como essa região específica. Aparentemente o norte é muito mais organizado. Meus próprios colegas que são da Itália concordaram que o transporte na região de Napoli é terrível. Quem mora lá quer mudar pro Sul e, em seguida, ir pra Suíça ou pra França. Então não é uma opinião "turística" minha. Também falei com outros amigos que foram pra lá ano passado e eles concordaram totalmente comigo. Nenhum deles (muito menos eu) disseram que vão se aventurar por lá de novo sem tudo esquematicamente programado por um agente de viagens.

Aí vai meu post-desabafo, publicado em 4/11/2012:

"Itália? Não, obrigada.

Estou chocada com a total falta de organização e consideração da Itália com os turistas. Só tive péssimas experiências para me locomover por aqui.

Meu voo de vinda da Suíça saiu no horário, como era de se esperar. Mas chegando em Roma, o voo pra Napoli já estava atrasado 30 minutos. Depois, conforme chegava perto do horário da nossa partida, o voo atrasava outros 30 ou 40 mi
nutos. E isso com todo mundo já na filapra embarcar. De 30 em 30 minutos, nosso voo atrasou 6h. Se eu soubesse que ia ficar 10h encalhada no aeroporto, tinha pelo menos feito um turismo pela cidade ou até ido pra um hotel. Mas não. E a companhia (Alitália) não deu NENHUMA explicação, nem um voucher pra lanche (obrigatório após 4h de atraso) nem nada. Com o atraso, perdi o último ônibus pra Sorrento. Tive que arranjar um trem às 11h da noite nos subúrbios da cidade. Além disso, a previsão do tempo realmente não funciona na Itália (vide Figura 1).

Figura 1
Os trens Napoli-Sorrento são horríveis. Estava chovendo pacas DENTRO do trem. Algumas pessoas abriram os guarda-chuvas. Tudo pichado, bancos quebrados e eu numa viagem de 1h30 em pé, com mochila, mala e pôster. Isso sem falar nos batedores de carteira por todos os lados.
Chegando em Sorrento, decidi que merecia um taxi às 2h da manhã. Pra quê? 40 euros (quase 100 reais) pra 1,5 km de viagem. Um absurdo. E isso que o motorista realmente usou o taxímetro.
(continua)

[Nesse momento, a internet do aeroporto cortou a minha conexão. Eu tinha direito a 15 min e eles só me deram 6. Ótimo]

A volta não está sendo menos traumática. O centro de turismo de Sorrento está distribuindo planilhas com os horários dos ônibus para o aeroporto. Mas os horários estão errados. Quase perco meu avião por causa disso. Na real, eu não ia perder porque o aeroporto estava tão caótico que nosso voo atrasou mais de 1h. Eu tinha uma conexão de 1h30 na França, mas perdi, obviamente. O mais revoltante é que nosso avião parou ao lado do avião que eu ia pegar em seguida na pista (não havia "Fingers" disponíveis). Eu estava com meu cartão de embarque na mão para aquele voo, não tinha nenhuma bagagem despachada, cheguei a subir no avião, mas não me deixaram sentar no meu lugar. Eu tinha que pegar o ônibus, ir pro terminal e então entrar no ônibus de novo e voltar pra lá. Por 37 segundos e uma tonelada de má vontade eu perdi meu avião pra Suíça. E claro que vou perder meus 3 trens em seguida. O próximo voo é em 7h, ou seja, vou chegar na Suíça e vou ter que esperar até amanhã pra estação de trem abrir de novo (eles fecham às 11h). A estação só reabre às 5 da manhã e está fazendo -4ºC em Geneva. Além disso, como eu estava na Itália (temperatura entre 20-25ºC), eu só tenho roupa leve. Depois que toda a adrenalina de tentar pegar a conexão baixou e eu percebi a gravidade da situação, eu sentei no terminal e comecei a chorar. Eu chorei muito. Estava exausta e não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Nenhuma companhia se pronunciou sobre nada (a Air France e a Alitália eram ambas responsáveis pelo meu voo). Algumas pessoas (passageiros) vieram ver se eu estava bem e tentaram me ajudar de todas as maneiras possíveis. Um senhor inclusive ofereceu o lugar dele em um voo em seguida pra Bassel, mas isso não me ajudava muito (fica muito longe de Lausanne).
Minha frustração e desapontamento se transforaram em raiva e essa é a única razão de eu estar escrevendo e publicando esse texto. Estou presa no aeroporto, totalmente esgotada e só tenho acesso a MÍSEROS 15 min de internet, mas SIM, eu faço questão de gastá-los escrevendo essa mensagem."

Foi aí que eu parei de escrever no aeroporto. Por quê? Porque acabou a bateria do meu netbook. Eu procurei uma tomada por todos os lados nesse aeroporto, inclusive nos banheiros, onde geralmente tem uma tomada pra secador de cabelo ou barbeador. Nada. As tomadas da área dedicada à pessoas com notebook estavam desativadas. Quando eu percebi que ia ficar 7h parada no terminal sem net poder ler nada no PC, assistir ou ouvir alguma coisa, me deu uma raiva ainda maior de tudo isso. Estava tão alterada que quase arranquei o plugue dos telões que mostram os horários/portões dos voo do aeroporto interno pra carregar a bateria do meu netbook no lugar. Juro pra vocês. Mas achei melhor não porque não queria passar a noite na cadeia.
Eu também podia tentar sair do aeroporto, mas lembrei da fila de 1h pra checagem do passaporte na saída, 1h na volta, 1h30 de fila pra passar no raio-x e mais 1h pra chegar no centro da cidade, num domingo em que não há garantia de nada aberto na França. Achei melhor não. Era capaz de eu me perder ainda. Eu também estava com muita bagagem de mão.
Fui atrás da companhia aérea de novo (Air France, nesse caso). Eles já sabiam da minha situação, emitiram meu novo bilhete pra Geneva e pediram "sinceras" desculpas. Como "compensação" eles me deram um "vale-cookies (1-3 euros) que eu podia gastar nas lojas do aeroporto. Mais alguma coisa que podemos fazer pela senhorita?" Meio debochado, na real. Eu fiquei olhando pra cara do vivente. Vocês tão brincando comigo, né? Um vale-cookie?
Peguei o vale e comecei a rasgar na frente do cara, lentamente. "Sabe", comecei a falar "eu conheço os meus direitos. Foi por causa da desorganização da equipe de bordo de vocês e da incompetência do pessoal no solo que eu perdi meu voo." O sorriso desapareceu da face do atendente, enquanto o meu vale já tinha virado confeti. "Eu quero uma refeição completa, um banho, um hotel, acesso ilimitado a internet ou uma ligação internacional, e o número de reclamação da Air France e da Alitália.". O tio ficou meio chocado, mas foi chamar o responsável. No final, me disseram que se eu fosse pra um hotel eu ia perder meu próximo voo, mas eu ganhei um voucher pra uma ótima refeição (e eu fiz questão de escolher a mais cara).
O resto do tempo eu fiquei entediada no aeroporto. Na verdade, nosso voo atrasou ainda mais 1h. Ótimo.
Chegando (finalmente) em Geneva, esperei a estação abrir e fui comprar minha passagem de trem. Na real, eu já tinha uma passagem de volta, mas a tia disse que não valia mais porque já tinha passado da meia-noite. Pra completar, meu cartão provisório de metrô, que faz com que eu pague somente 50% da tarifa, também vencia "ontem". Provavelmente o meu cartão final já estava na minha caixa de correio em Lausanne. T_T Por isso, eu ainda tive que comprar a passagem completa de novo.

Cheguei em casa às 6h30 e saí às 7h30 pra aula. Eu ainda tinha uma apresentação de seminário naquela manhã (para o qual eu não consegui ensaiar, me preparar ou mal ver os slides) que valia 33% da minha nota final do semestre. Foi lindo, vocês nem imaginam.

E depois as pessoas me perguntam por que eu não gosto de viajar?!
Sério, é bem possível que essa tenha sido minha última viagem pela Europa nos próximos 2 anos. E eu não me arrependo disso. Eu realmente não gosto de viajar ou fazer turismo, muito menos sozinha. É muita mão. O máximo que vou fazer é pegar um trem suíço e passear pelos arredores.

Mas enfim, eu sobrevivi. É incrível como a gente consegue ser forte quando depende de si próprio...

Espero que pelo menos alguns de vocês consigam rir dessa desventura em série! Nunca se esqueçam de sempre pode ficar pior. E se uma viagem de vocês estiver ruim, voltem a ler esse post: Ela vai parecer muito boa!

Beijos!