segunda-feira, 23 de junho de 2014

12 coisas que você está fazendo errado na faculdade

Essas são 12 coisas que só o tempo nos mostra que fizemos errado durante nossa graduação. Ficam registradas aqui nesse post coisas que eu aprendi e que eu gostaria que alguém tivesse me dito antes. Cabe à você decidir o que fazer com essa informação. 

Boa sorte na sua graduação! 


1. Você não faz perguntas suficientes durante as aulas.
A aula é o melhor momento para aprender coisas novas. E coisas novas não são necessariamente fáceis. Se você não entendeu alguma coisa, peça para o professor parar e explicar novamente, vai por mim. Professores gostam quando os alunos percebem que estão perdidos e pedem novas explicações. Isso significa que você está realmente interessado em aprender. Além disso, pode ter certeza que metade da classe estava tão perdida quanto você. Se você sair da aula sabendo o conteúdo, vai ficar muito fácil de estudar para as provas depois.  

2. Você está matando as aulas chatas.
Eu detesto estragar a surpresa pra vocês, mas seminários, aulas e palestras chatas vão fazer parte da sua vida, não importa em qual profissão e carreira você escolher, e você não vai poder fugir ou sair de fininho de todas essas situações. Aulas chatas existem para você aprender a lidar com elas. Entenda que cada pessoa/professor tem o seu método de ensinar, mesmo que seja horrível. Aprenda a aprender com diferentes métodos: dinâmicos ou entediantes. Essas aulas são uma oportunidade de crescimento pessoal porque você desenvolve sua concentração, atenção, tolerância e paciência. Você vai precisar delas.  

3. Você está perdendo seu tempo em sala de aula.
Se você está na aula, por que está no celular, no facebook, dormindo ou fazendo outra coisa? A menos que a aula tenha presença obrigatória (a que sou totalmente contra), só venha para a aula se é para aprender com eficiência. O que isso quer dizer? Tente aprender ao máximo tudo que conseguir DURANTE a aula. Se você vai ter que saber uma fórmula ou exemplos de remédios para o dia da prova, por que não decorá-los no momento em que o professor apresentar essa informação? Faça um esforço mental por 5-10 segundos depois que você receber essa informação para memorizá-la. Embora isso torne as aulas mais cansativas, vale à pena e você vai aprender muito mais rápido. 

4. Você está estudando por causa de uma prova.
Pare de pensar que você só está estudando por causa de uma prova. Provas vêm e vão, o conhecimento fica. Se for para estudar alguma coisa, estude porque aquilo é conhecimento para a vida, não para um teste. Tudo que você aprender e estudar vai ser útil em algum momento, seja nos seus estudos, seja no seu cotidiano. Mesmo cadeiras que parecem inúteis vão servir para alguma coisa daqui a 5, 10 ou 15 anos quando você tiver que revisar algum conteúdo por causa de um curso de aperfeiçoamento que você está fazendo (essa semana eu tive que revisar integrais e derivadas para uma aula e fiquei extremamente grata por ter estudado aquilo na graduação). 

5. Você está preocupado com suas notas.
Enquanto você não for um dos 10% melhores ou um dos 10% piores da sua turma, ninguém vai dar a mínima para as suas notas. Se você é um dos 10% piores, está na hora de se preocupar. Se você é um dos 10% melhores, continue assim se você quer fazer pós-graduação no exterior.  

6. Você não está aprendendo a ensinar.
Mesmo que você não queira ser um professor, em algum momento da sua vida você vai ser a pessoa com mais conhecimento sobre um assunto em um grupo de pessoas. Você está sabendo comunicar sua ciência com palavras simples e de um modo compreensível? Provavelmente não. É hora de você fazer uma monitoria presencial e trabalhar nas suas "people and communication skills". Aprenda a comunicar-se com diferentes audiências, de nível intelectual maior ou menor que o seu, sendo claro e conciso. Observe seus professores. O que o seu professor favorito faz que os outros não fazem? Vale também usar as aulas chatas como exemplo do que não fazer.

7. Você está reclamando de fazer apresentações orais.
Seus colegas de curso são a mais querida audiência que você vai ter em toda sua vida. Apresentações vai ficar mais brutais e sangrentas no decorrer da sua carreira. Use as oportunidades em sala de aula para errar, experimentar diferentes modos de apresentação, aperfeiçoe sua linguagem corporal, sua fluência e aprenda a controlar seu nervosismo antes de uma apresentação. Observe seus colegas e aprenda também com seus erros e acertos.

8. Você não está participando de um projeto de extensão ou iniciação científica.
O conhecimento aplicado tem muito mais valor do que o teórico. Participar de projetos desde o começo da graduação vai abrir seus horizontes e você vai descobrir mundos com o qual nunca sonhou. Projetos podem também ser desafiadores, lhe colocar em contato com pessoas diferentes e lhe ensinar a ser uma pessoa melhor, fora do ambiente competitivo da sala de aula. Aprenda a trabalhar em equipe pelo bem comum!

9. Você não faz trabalho voluntário.
É na Universidade que muitos de nós viram adultos (completam 18 anos) e, mais importante, que ganhamos um espaço na sociedade. É hora de virar um cidadão ativo e usar toda sua energia para mudar o mundo (ou o bairro) em que vivemos. Trabalho voluntário vai lhe ajudar a perceber a realidade nua e crua da nossa sociedade, e você vai perceber que pode ser ativo no processo de mudança. Além disso, fazer o bem faz com que a gente se sinta muito bem! Entre em contato com o SESC ou outros grupos de voluntários na sua cidade e faça sua parte.

10. Quase todos os seus amigos são seus colegas de aula.
Grande erro. Muitos amigos que você fizer durante a faculdade não vão durar na sua vida pós-faculdade porque são amizades convenientes. Faça um esforço (de verdade!) para manter as antigas amizades fora da sala de aula e dedique-se a esses velhos amigos. Eles que mais te apoiarão nos momentos em que você precisar.

11. Você não está cuidando de si mesmo.
Ai deus! Eu tenho que estar na aula 30h por semana, fazer iniciação científica 2 tardes por semana, monitoria na segunda e quinta-feiras de manhã, e no final de semana eu tenho que fazer o relatório, estudar pra prova, terminar o projeto, ler o paper, e... PARA TUDO. Você está vivendo para estudar e não vivendo para viver! Se você pode achar 80h por semana para a faculdade, por que você não acha 10h pra cuidar da pessoa mais importante na sua vida: você? Está na hora de você colocar sus vida e sua saúde como prioridade! Por exemplo do que fazer com essas 10h:
-Exercite-se (3h por semana)
-Reserve um momento de leitura, e faça um chá para acompanhar (3 x 30 min = 1h30 por semana)
-Medite (7 x 10 min = 1h10 por semana)
-Faça um curso que você sempre quis, aprenda um novo idioma, toque um instrumento, aprenda a desenhar ou a pintar (2h por semana)
-Faça algo diferente! Descubra sua cidade e sua região, faça uma trilha, construa alguma coisa, visite um amigo, dedique-se 100% ao seu bichinho de estimação ou prepare um passeio legal com sua família. Desafie-se. Faça algo que lhe dê medo. Saia da sua zona de conforto e comece a viver! (3h por semana)

12. Você não se acha bom o suficiente.
Pare de se comparar com os outros. Sempre vai ter aquele colega de aula ou trabalho que vai ser melhor do que você, que vai ser o queridinho do professor, que vai tirar sempre a nota mais alta. SEMPRE. Aceite isso. Todo mundo é melhor e pior em alguma coisa. Você certamente supera aquele colega em outra atividade, como por exemplo, número de cachorros-quentes que você consegue comer em um minuto (eu não disse que era uma atividade relevante), ou talvez você amigos mais fiéis, uma família mais estável, um futuro que lhe reserva mais surpresas. Você não sabe, então pare de se comparar. Cada um tem a sua história. Se você quiser, você pode acreditar que aquele colega está ali para lhe desafiar a ser o melhor de você mesmo naquela tarefa. Espelhe-se e esforce-se para dar o máximo da sua performance! Mas de uma coisa eu tenho certeza: ninguém é melhor do que você em ser você mesmo. 

sábado, 31 de maio de 2014

Ferro: muito além da hemoglobina

Vai dizer que quando alguém fala em ferro no sangue você não pensa em hemoglobina ou em hemácias? Pois é, a única grande função do ferro que a gente conhece é a de transporte de oxigênio no sangue. O ferro faz parte da hemoglobina, uma proteína que fica dentro das hemácias (ou células vermelhas do sangue), e serve para captar oxigênio nos pulmões e liberá-lo no resto do corpo. Mas parece que não é só isso, não!

Quando eu fui diagnosticada com deficiência severa de ferritina (a proteína no sangue que serve de reserva de ferro) eu logo imaginei que estaria com anemia, que meus níveis de hemoglobina estariam lá embaixo e que meu hematócrito (% de hemácias no sangue) estaria um caos. Mas não foi esse o caso. Minha anemia era muito leve, nem dá pra considerar anemia propriamente dita, e meu hematócrito estava normal (38%, sendo normal entre 34% e 40%). Por isso, eu não dei muita importância pra essa deficiência de ferro: minha reserva de ferro estava baixa, mas minha hemoglobina estava bem. Aparentemente, meu corpo se adaptou extremamente bem à baixa reserva de ferro, pelo menos no que diz respeito às minhas hemácias. Todo o ferro que eu consumia estava sendo desviado para a produção de hemoglobina, mas chegou um momento em que ele não estava em concentração suficiente. O corpo percebe quando não temos hemoglobina e oxigênio nos tecidos suficiente, então envia um sinal para produção urgente de hemácias. Hematócrito de 38% é um pouco alto pra mim, mas foi o modo como o meu corpo reagiu à falta de ferro. O problema é que, embora meu corpo tenha conseguido produzir bastante hemoglobina e sequestrar todo o ferro para essa proteína, ainda assim não era suficiente, então eu acabei tendo muitas hemácias com pouca hemoglobina dentro de cada uma. Além disso, minhas hemácias são extremamente pequenas e com formas variadas (microcitose e anisocitose). Mas mesmo assim, eu ainda não estava com anemia, já que existe uma janela de 30 a 60 dias pra que a ausência de ferro apareça no hemograma.

Para prevenir uma anemia profunda que certamente viria nos próximos meses, busquei tratamento o quanto antes. Depois de uma primeira tentativa desastrosa com Ferrinject, eu comecei a fazer tratamento no Hospital de Morges, a 30 min de onde eu moro. Nesse hospital, eu tenho toda uma equipe médica comigo se eu tiver uma reação alérgica de novo. Eu obviamente não curti muito essa ideia de hospital. Pensei num lugar tipo o Centenário em São Leopoldo ou a emergência do HCPA. Mas o hospital era super bem organizado. Não havia muita gente no meu setor, fui atendida no horário e fiquei numa sala de perfusão para 4 pessoas (tinha mais um senhor recebendo ferro e uma senhora fazendo quimioterapia). Recebi suco e chazinho das enfermeiras, muito queridas e amigáveis. Foi nesse ambiente nada-mal que eu fiz minha primeira perfusão de ferro com Venofer. Foi tudo bem, não senti nada, exceto uma ansiedade e um pouco de nervosismo por medo de passar mal de novo. Mas foi tudo perfeito. Fiz a perfusão de 100 mg de ferro em 30 min e fiquei 30 min em observação. 



Até aí, nada de mais. Não senti nada no dia seguinte, nem melhor nem pior. Depois de uns 2 dias que eu comecei a sentir alguma diferença. A primeira coisa que eu percebi foi que meu sono melhorou bastante. Eu acordava 3 vezes por noite e depois das 6h da manhã eu não conseguia mais parar de me mexer e tinha que sair da cama. Falta de ferro é responsável por boa parte dos casos de "síndrome das pernas inquietas", que pode ter sido uma das razões pelas quais eu não estava dormindo direito. Não sei se foi isso ou não, mas hoje, pela primeira vez em vários meses eu consegui dormir até às 8h da manhã. Sério! Acho que fazia 1 ano que isso não acontecia! \o/

3 dias depois da perfusão eu comecei a me sentir menos cansada, seja por causa do ferro em si ou por estar dormindo melhor. :)

Ontem foi minha segunda perfusão, dessa vez com 200 mg de ferro. Eu vou receber 900-1000 mg de ferro intravenoso, o equivalente a 5 bolsas de sangue (só que bem mais seguro e com menos chance de reação alérgica). 200 mg de ferro é um pouco mais pesado. Tive bastante dor de cabeça ontem à noite e hoje pela manhã, mas tomando dipirona ela passa. Dor de cabeça é o efeito colateral mais chato das perfusões. Quem faz tratamento com Ferrinject (que injeta 1 g de ferro de uma só vez) fica totalmente incapacitado no dia seguinte por causa da dor. 




Depois de receber 300 mg total de ferro, eu já sinto muito mais a diferença. Consigo me concentrar melhor nos textos que tenho que ler, tenho mais energia e até fui correr hoje. Sim! Me deu vontade de correr depois de 6 semanas de molho! O melhor de tudo é que mesmo depois de 6 semanas sem correr, minha performance foi a mesma: corri 7 km em 52 min, contra 7.1 km in 51 min em abril. Nada mal. A diferença dessa vez foi a etapa limitante da corrida. Antes era sempre o fato de que eu não tinha ar, não conseguia respirar e minha frequência cardíaca ia a 90-100% do meu máximo (cerca de 200 bpm). Hoje foram as minhas pernas! Pela primeira vez eu senti dor muscular durante a corrida e foi por isso que não fui mais longe. Meu coração estava de boa, operando entre 60 e 75% da sua capacidade (perfeito para atividades aeróbicas moderadas).  

Isso me deixou muito feliz, obviamente. Parece que esse negócio de ferro também é importante para outras coisas (ok, eu sei que ferro é importante para várias outras enzimas e proteínas, mas a gente quase nunca presta atenção nelas!) e que realmente faz falta no organismo. 

Agora eu fico pensando, por que essa falta de ferro? Pensei bastante e a resposta pode estar não só no fato de que eu não como muita carne, mas também no fato de que eu bebo muito leite. Chego a tomar 600-800 mL de leite por dia (o que é uma droga se você tem que comprar leite no mercado toda semana e carregar 5 kg de leite pra casa). O problema do leite é que ele tem muito cálcio, o que praticamente impede a absorção de ferro pelo organismo. Lembra daquela história de que por Nescau no leite anula os benefícios do leite? Na real é ao contrário. A concentração de cálcio no leite é tão grande que não tem nem change de você absorver qualquer nutriente que a Nestlé insiste em colocar no Nescau por motivos de marketing. Em termos de nutrição, seria melhor dissolver o Nescau em água e beber leite em outra refeição (bleh ¬¬).

Bom, pra mim é tarde pra chorar sobre o leite bebido. Além do tratamento por via intravenosa, eu ainda estou tomando 400 mg de ferro oral com vitamina C ou suco de laranja todos os dias. Não é muito agradável no começo. Ferro oral causa diarreia ou uma constipação absurda (pode escolher), mas eu melhorei depois de umas 3 semanas e agora está tudo de vota ao normal. Então, se você precisa tomar ferro, aguente firme, colega! Vai passar. Vai por mim que vale a pena.   :)